Notícias
- Geração
- Hidrelétrica
- Nuclear
- Biomassa
- Óleo e Gás
- Solar
- Eólica
- PCH
- Transmissão
- Distribuição
- Sendi 2010
- Comercialização
- Regulação
- Análise Regulatória
- Indústria
- Meio Ambiente
- Economia & Política
Serviços
Geral
São Paulo,21 de Julho de 2010 - 16:29
Por dentro de Belo Monte
Por Luciano Costa

O presidente do consórcio, José Aílton de Lima, afirma que a intenção é iniciar a instalação do canteiro de obras em setembro. Com isso, o investimento aplicado na usina até o final de 2010 chegaria a R$1 bilhão. Apesar da previsão de adiantar a obra, o executivo revela que o cronograma entregue à Aneel não prevê a antecipação da geração de energia pela usina. "Só vamos começar a falar nisso em um ou dois anos", ressalta.
Lima também destaca que, ao contrário do que foi ventilado pela imprensa, ainda não foi fechado o contrato para o fornecimento das tubinas para a hidrelétrica. "Estamos em um processo avançado de negociação, mas não tem nada fechado ainda. Até me surpreendi quando vi notícias sobre isso", afirma o executivo.
E, apesar da entrada dos fundos de pensão e da forte presença da Eletrobras, Lima afirma categoricamente que "Belo Monte é um projeto privado". Ele questiona as afirmações de que o governo estaria conduzindo a obra e que os fundos teriam entrado no projeto a chamado da União, para viabilizá-la. "Os fundos são privados", afirma.
O presidente do consórcio falou com exclusividade ao Jornal da Energia nesta sexta-feira (16/07) contando detalhes sobre as negociações junto aos autoprodutores interessados em se associar ao empreendimento e diversos outros apectos da obra.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Como estão as conversas com os fornecedores?
José Aílton de Lima: Não tem contrato fechado. Nós estamos em um processo já avançado de negociação. Temos muitas propostas, explicações técnicas. Estamos trabalhando com os fornecedores instalados no Brasil. Mas tem fornecedores de fora também, e isso tem incomodado os nacionais. Mas vamos receber propostas de todo mundo.
Tem-se muita crítica ao produto chinês, mas também desconfio da veracidade dessas coisas. Tem porcaria lá como tem em todo lugar do mundo. Eles são competitivos, são agressivos, têm o direito de fazer proposta. Eles forneceram para Três Gargantas (maior hidrelétrica do mundo, na China), dizer que não podem fornecer para Belo Monte seria hipocrisia.
Temos propostas de japoneses, ucranianos. Mas tem uma série de questões que temos que ver, como custos de importação, transporte. Estamos fazendo uma análise criteriosa, com estudos. Não é somente o preço que importa. Estamos visitando as fábricas. Tem uma equipe enorme trabalhando nessas análises. Ninguém vai ganhar na conversa. Temos um orçamento e temos que cumprir ele.
Com que orçamento o consórcio está trabalhando?
José Aílton de Lima: "Não estamos trabalhando com o orçamento de R$19 bilhões (valor estimado pela Empresa de Pesquisa Energética para o projeto). Isso não é real. Também não estamos trabalhando com orçamento de R$30 bilhões. Estamos aí no meio. Mas no momento, não podemos revelar, pois é um número ainda estratégico.
Como se deu a entrada da OAS no consórcio?
José Aílton de Lima: Na verdade a OAS já estava desde o início, mas estava junto com a Queiroz Galvão. Eles já tinham um consórcio entre eles. Agora eles resolveram "dar a face" cada um à sua parcela, sua identidade própria.
Como será feita a escolha das empresas para o consórcio construtor?
José Aílton de Lima: Nós temos no Brasil um parque de construção que é o melhor do mundo. É muito pouco provável que a gente vá sair para contratar construtora de fora. Mas esse processo de negociação é um pouco mais complicado (do que a negociação referente aos fornecedores das turbinas). Com uma construtora, o máximo que posso olhar é uma obra que ela já construiu. E a construtora depende muito de gente. O fato de ela ter construído não sinifica que ela ainda é capaz de construir. Tem gente que construiu grandes obras no Brasil e desapareceu do mercado
Odebrecht e Andrade estão interessadas ainda em construir a usina?
José Aílton de Lima: Temos propostas na mesa das duas, agora estamos analisando
As construtoras que estão no Grupo Norte Energia terão preferência?
José Aílton de Lima: Temos colocado para todos os sócios, a todo momento e com bastante transparência: uma coisa é você ser sócio de Belo Monte, outra coisa é ser contratado para construir. Eles (os construtores que estão no grupo) já vão ganhar na taxa de retorno do negócio. Fazemos o máximo esforço para sempre separar isso. O mercado está aberto para Belo Monte e estamos recebendo propostas de todo mundo. Não estamos fazendo nenhum ato de traição aos sócios, porque está claro desde o início. Os prestadores de serviço têm que se submeter às leis de mercado.
Quando será concretizada a negociação?
José Aílton de Lima: Temos algumas otimizações no projeto básico, que ainda estão sendo feitas. A rigor, só posso fazer essa contratação quando eu tiver as otimizações na mão. O que estamos colocando para todos proponentes é que o negócio precisa andar. Vamos fechar logo com algum deles. Mas o contrato definitivo só será feito mais para a frente, depois de entregarmos o projeto básico. Então teremos um pré-contrato. É importante fechar isso o mais rápido possível, mas não temos uma data, não temos uma exigência legal. Só não pode ficar muito para o fim do ano, porque aí o fornecedor não consegue entregar as máquinas a tempo.
Como está a otimização do projeto?
José Aílton de Lima: Em 15 de agosto a gente entrega para a Aneel esses melhoramentos. (no projeto básico da usina) Essas otimizações têm bastante reduções. Conseguimos reduzir quase 60 milhões de escavações. E um milhão de metros cúbicos de concreto. Tem outras coisas menores, mas o maior são esses dois. Agora, preço é outra história. Não posso falar quanto isso representa no custo da obra porque ainda estamos em negociações com os fornecedores, e eles sabem fazer conta (risos).
Quando será feita a entrega do cronograma das obras para a Aneel?
José Aílton de Lima: Estaremos entregando, conforme está no edital, sem nenhum problema. A data é hoje (16/07). Foi feito um carnaval com esse negócio, falado que para entregar o cronograma tem que ter o contrato de fornecimento. Não tem isso. Essa é uma responsabilidade do empreendedor com a Aneel. Nós não estamos trabalhando com antecipação de obra, o crongorama da gente é o da Aneel. Antecipação, só vamos discutir daqui a um ano ou dois.
Esse cronograma prevê a antecipação da obra?
José Aílton de Lima: Os empreiteros já chegaram aqui com essa história, oferecendo antecipar a obra em até um ano. Mas nisso eles calculam o quanto vai gerar de receita a mais e cobram em cima disso. Se daqui a um ano ou dois quisermos discutir antecipação, vamos chamar eles e discutir. E vamos pagar um bônus. Claro que não vai ser de graça, mas não vamos comprar um risco agora
Como foi a negociação com os autoprodutores?
José Aílton de Lima: O autoprodutor na verdade tem interesse em comprar energia. Na maioria das vezes, ele não está interessado em ser sócio. Então, alguns deles tinham dificuldade de aprovar a entrada no consórcio. Nós não temos problema nisso, há uma fila de autoprodutores que têm interesse em entrar. Eles podem resolver as aprovações internas deles e entrar depois da criação da SPE. Não tem problema nenhum. Alguns ficaram achando que se não fechássemos com eles, não conseguiríamos fechar a SPE. Se enganaram. Agora, podemos retomar isso com mais calma.
Alguns até podem preferir esperar a obra começar para ficarem mais tranquilos. Eles argumentam que não têm conhecimento de obra, que vão ficar na mão da Eletrobras. É verdade. Mas nós colocamos centenas de hidrelétricas de pé, então é uma experiência que eles têm que considerar.
E com os fundos de pensão?
José Aílton de Lima: Foi uma negociação muito tranquila (para a entrada deles no consórcio). Eles têm um interesse muito grande na taxa de retorno do projeto. Esse é um tipo de empreendimento que se encaixa bem no perfil deles. Eles são um ente privado que tem uma convergência de interesse muito grande conosco.
Tem se questionado muito a grande participação estatal no projeto, com a Eletrobras e os fundos...
José Aílton de Lima: Quem é que tem participação hoje nas distribuidoras estaduais, a maioria privada? Se você for ver quem está por trás dessas empresas, são os fundos de pensão. Eles são todos privados. Não sei de onde surgiu essa história de que eles são estatais. Eles pertencem a estatais, mas são privados.
A Eletrobras está mesmo tomando a frente das negociações no consórcio?
José Aílton de Lima: A SPE está sendo formada, e ela é privada. Vai ter um conselho de administração. Vai funcionar como qualquer conselho de empresa, com representantes de todos sócios. Essa dúvida não existe.
Estão tentando fazer uma intriga dentro do grupo Eletrobras. Cada hora se diz que uma empresa está à frente da negociação. Não tem nada a ver. Eu, o Cardeal (Valder Cardeal, diretor da Eletrobras) e o Adhemar (Adhemar Pallocci, diretor da Eletronorte), que temos a maior participação, estamos o tempo todo equilibrados, não há nenhuma disputa entre a gente. Belo Monte é um projeto que foi sonhado pelo setor elétrico há quase 30 anos ou mais, e está se tornando realidade. É um orgulho estarmos conduzindo esse negócio. Não tem disputa de ego.
Quando vocês prevêem investir ainda em 2010?
José Aílton de Lima: Queremos em setembro começar a instalar canteiro. Estamos conversando quase semanalmente com o Ibama, para afinar datas. Ainda este ano devemos investir quase R$1 bilhão com a instalação do canteiro e a organização que vai ser feita.
Últimas Notícias
03 / 09 / 10 - 06:56
| Econ. e Pol.Eletrobras e GDF Suez assinam acordo de coopera&cc...
03 / 09 / 10 - 06:02
| TransmissãoCEEE construirá nova linha de transmiss&ati...
03 / 09 / 10 - 04:28
| TransmissãoEletronorte inaugura subestação S&at...
03 / 09 / 10 - 03:00
| Óleo e GásONS deverá aumentar geração d...
03 / 09 / 10 - 02:00
| Meio AmbienteFurnas assina terá nova política de ...
Veja mais notícias




