São Paulo, 29 de Junho de 2012 - 14:00

Coppe-URFJ busca desenvolver alta tecnologia eólica no Brasil

Pesquisador diz que é possível dobrar o nível de aproveitamento do vento do País

Por Fabíola Binas

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Crédito: GettyImages

O professor de engenharia elétrica da Coope (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), Maurício Aredes, tem dedicado seu tempo à implantação de um Centro de Tecnologia em Energia Eólica no País. O objetivo é adaptar a tecnologia adotada pelos maiores players do mundo às condições regionais brasileiras e, com isso, chegar a um projeto que possibilite até dobrar o nível de aproveitamento do vento para gerar energia. 

Mas, para cumprir esse objetivo, não basta apenas que os ventos soprem a favor do especialista. Na verdade, são necessários cerca de R$26 milhões e o apoio de companhias brasileiras para deslanchar o projeto. Por enquanto, Aredes e a Coppe contam com um memorando de entendimento com a fabricante Guodian, terceira maior empresa do setor na China, para dar andamento às metas do centro.

O professor explica que atualmente as fabricantes nacionais produzem as pás de acordo com a escolha do cliente, mas diz que os agentes acabam por optar por modelos projetados por empresas estrangeiras. “Acabamos fabricando a parte pesada por aqui, mas o conteúdo tecnológico ainda é estrangeiro”, ressalta, ao defender o desenvolvimento de aerodinâmica condizente com nosso clima.

“Seria um projeto com aerodinâmica brasileira com o sistema de controle digital concebido aqui”, aponta Aredes, que conversou com o Jornal da Energia. O professor diz que o produto nacional seguiria as condições de vento de cada região do País e as características da rede brasileira de transmissão de energia. No caminho para desenvolver a tecnologia, a Coppe quer reforçar parecerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com empresas como Petrobras e Furnas. A Abeeólica, que reúne investidores do setor de vento, também está na mira. 

“Queremos que o projeto deslanche esse ano”, projeta Aredes, ao revelar que deve entregar por estes dias um proposta ao BNDES para a obtenção de parte dos recursos. “Estamos nos esforçando”, diz o professor, que calcula serem necessários cerca de R$5 milhões para essa primeira etapa de implantação. 

A princípio, nessa primeira fase, seria instalado um laboratório de alta tecnologia no próprio campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A unidade ficaria responsável por trabalhos como o início do desenho de pás e controles de potência, com medições de vento. A partir daí, a intenção é levar as pesquisas para locais como Cabo Frio ou pontos fora do Rio de Janeiro, na região Nordeste, que concentra grande parte do potencial eólico do País.

“Estamos tentado uma aproximação com grandes empresas nacionais”, reforça o pesquisador. Ele afirma que a Petrobras, por exemplo, poderia contribuir levando o projeto para um dos campos remotos que possui no Nordeste, onde poderiam dar continuidade à pesquisa. 



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