São Paulo, 19 de Julho de 2012 - 19:19

Abeeólica crê em volta de empresas ao Finame e vê solução muito próxima

Associação admite que espera por decisão do BNDES quanto a financiamento de usinas tem criado nervosismo no setor

Por Fabíola Binas

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Crédito: gettyimages

Depois de a imprensa divulgar que a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) de suspender do Finame cinco fabricantes eólicos teria causado a elevação dos preços na indústria, o setor desmentiu a “supervalorização”. Apesar de todo o impasse, os agentes ouvidos pela reportagem defendem a iniciativa do banco e dizem que não há objetivo de prejudicar investidores ou a cadeia produtiva.

A saída de fornecedores do Finame, que enquadra equipamentos que podem ser financiados pelo BNDES, aconteceu depois de uma grande auditoria do banco, que diz ter constatado que algumas empresas não cumpriam o índice mínimo de nacionalização exigido, que é de 60%.
 

“Esse tipo de coisa começa a surgir por conta da agitação do mercado. Temos que acalmar essa ansiedade com a busca de uma solução e filtrar esse nervosismo”, comenta a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo.

A representante do setor diz que a lógica de que os custos subiriam naturalmente devido à dinâmica entre oferta e procura se aplica apenas no longo prazo, o que não é o caso. “Não dá para falar que o preço está mais alto, pois não houve nem leilão”, justifica.

Questionada sobre uma possível sobrecarga para os agentes que ainda podem vender máquinas financiáveis pelo BNDES, Elbia diz que há tempo de controlar a situação. E acredita que algumas das fornecedoras descredenciadas devem conseguir reverter a situação junto à instituição estatal. “Dessas empresas, duas ou três têm um potencial de volta rápida”.

Apesar da polêmica e do risco de paralisação de projetos - que poderiam até ficar inviáveis ou deficitários sem os financiamentos a juros baixos do BNDES - Elbia mostra otimismo. “Nossa expectativa é de ter uma resposta na semana que vem. De preferência, algo que acomode essas preocupações com investimentos e projetos que estão em andamento”, aponta.

Uma das companhias afetadas, a Servtec, mantém a calma em meio à agitação que tomou conta do mercado. A empresa comprou turbinas da Sulzon, uma das que saíram do Finame. Agora, o presidente do grupo, Lauro Fiúza Júnior, diz que o imbróglio é temporário e deve caminhar para uma solução.

“É uma questão do fabricante acelerar os procedimentos para voltar para ao sistema”, raciocina Fiúza, que lembra que os equipamentos encomendados por sua companhia só devem ser entregues em 2013, o que dá tempo para uma solução. “Outros (fabricantes) precisam correr mais, pois não têm fábrica ainda”, frisa. O executivo da Servtec ainda diz que a situação com o BNDES contribui como um alerta para o setor.

Preço estável
Entre os fabricantes que se mantiveram no cadastro do Finame está a argentina Impsa, que reforça a estabilidade no valor dos aerogeradores. “É injusto dizer que aumentamos o preço. Além disso, temos capacidade sobrando para atender o mercado”, comenta o vice-presidente executivo da empresa, José Luis Menghini, que conversou com o Jornal da Energia.

O executivo é enfático ao negar os rumores e acrescenta que o BNDES adotou uma postura justa, em defesa da indústria nacional. “Não é aceitável que uma empresa prometa fazer um fábrica com a obtenção do financiamento e não faça nada”, desabafa.

Menghini lembra que a Impsa investirá uma nova fábrica com capacidade de produção de 220 aerogeradores por ano para atender o mercado do Sul e o Uruguai. Com a unidade, será ampliada em 50% a capacidade de produção no Brasil, que hoje é de 440 equipamentos anuais.

Procurada pela reportagem, a Alstom, que continua no Finame, diz que “ressalta a importância do BNDES na consolidação da indústria, sendo que a empresa continua atuando no Brasil de forma a atender os índices de nacionalização exigidos nos diversos segmentos em que atua”.

A GE, outra das que continuam na lista do BNDES, também foi procurada, mas não se pronuciou até o fechamento desta matéria. Mas um dos clientes da fornecedora, a Renova Energia, diz por meio do diretor de Relações com Investidores, Pedro Pileggi, que  a medida do banco de fomento pode até criar uma ansiedade neste primeiro momento, mas na realidade é positiva para o setor.

Vestas e Suzlon, que estão entre as companhias cortadas, disseram em sondagens anteriores da reportagem que atendem as especificações e que procurarão provar isso ao banco. 

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