São Paulo, 09 de Agosto de 2012 - 15:09

Chesf: cinco passos para acabar com atrasos até 2013

Problemas com cronograma tiram a empresa do próximo leilão de transmissão da Aneel

Por Luciano Costa

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Crédito: Divulgação

A Chesf ainda não se conformou com a recente decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de barrar empresas com histórico de atrasos nos próximos leilões de transmissão. Para superar a situação, a companhia tem feito uma série de ações que prometem zerar as obras problemáticas até o final de 2013.

Segundo o diretor de Engenharia da estatal, José Aílton de Lima, o não cumprimento de cronogramas começou a ficar mais acentuado a partir de 2008, principalmente devido à grande quantidade de obras em execução.

Lima diz que, já naquele momento, a companhia começou uma série de reestruturações para acelerar a execução. "A meta de zerar os atrasos até 2013 não é uma simples promessa. Os compromissos estão fundamentados em transformações nos processos e nas estruturas. Também estão respaldados na implantação de uma logística específica".

O executivo enviou ao Jornal da Energia, com exclusividade, um documento que lista as ações tomadas pela estatal para acertar os ponteiros. Confira abaixo.

1 - Criação de um departamento de geoprocessamento e cartografia
As atividades de geoprocessamento e cartografia eram feitas de forma pulverizada na empresa - cada unidade comprava seus computadores, aplicativos e alocava técnicos. Depois de mais de três anos de trabalho, foi criado um departamento próprio, com procedimentos e programas padronizados.

"Essa forma de conduzir as atividades trazia muitos inconvenientes: dispersão de esforço, uso de aplicativos que não se relacionavam, falta de padronização, dependência das informações nas pessoas, e, consequentemente tempo de resposta demorado para as demandas, feitas principalmente pelos órgãos de licenciamento ambiental e pela Aneel", explica a Chesf.

2- Melhoria na gestão de contratos
Em pouco tempo, a Chesf viu triplicar seus processos de aquisição e contratos. A atividade passou até a ser alvo de críticas do Tribunal de Contas da União devido a prazos descumpridos. Segundo Lima, muitos técnicos da estatal viam a gestão de contrato como "tarefa secundária", burocrática e incompreensível.

As atividades foram então centralizadas em um departamento, retirando essa tarefa dos técnicos de campo. A gestão passou a ser feita por um grupo de especialistas. A empresa diz que o departamento ainda não está consolidado, pois ainda não cuida de todos acordos fechados, mas ressalta que a estrutura já foi aprovada como modelo pela Controladoria Geral da União (CGU).

3- Contratações mais simples
A modalidade "Contratação por Empreitada Global" foi adotada pela empresa para agregar várias aquisições de menor porte dentro de um só pacote. A mudança foi aprovada em fevereiro de 2012 e ainda incluirá um novo procedimento para análise de concorrências. A estatal tem como meta reduzir o tempo total médio dessas licitações de 210 para 130 dias.

4 - Monitoramento no licenciamento
A Chesf calcula ter hoje 60 processos de licenciamento ambiental em curso. Tais atividades agora são monitoradas semanalmente e contam com um sistema de informações feito só para isso. A empresa destaca que a tarefa é "complexa e com sérias consequências para o cumprimento dos prazos dos empreendimentos". E lembra que uma dificuldade extra acontece pela divisão entre licenças emitidas em âmbito estadual e federal.

Nesse sentido, a Chesf conta que testa uma articulação descentralizada, em que um profissional poderá tratar diariamente com o órgão licenciador. O modelo é adotado em Salvador, Bahia, e caso aprovado será implantado em outros locais. Os próprios diretores da estatal também têm se envolvido e buscado aproximação com governadores, secretários e autoridades para acelerar os processos.

5 - Gerenciamento de obras
Em janeiro deste ano a empresa passou a ter um Comitê de Monitoramento dos Empreendimentos de Tranmsissão (CMET). A área, que concentra os problemas de cronograma, é acompanhada agora por representantes de gerências de projetos, construção, jurídica, de operação, manutenção e suprimento. 

Mensalmente, cada empreendimento é submetido a um rigoroso crivo de avaliação, de forma a se identificar os pontos críticos e as causas que podem levar a atrasos", explica José Aílton. O CMET ainda está sendo estruturado, com o desenvolvimento de um sistema para acompanhar "em tempo real" cada empreendimento.

A Chesf também criou a função de Gestor de Empreendimento, em que um engenheiro ficará responsável por acompanhar e avaliar um projeto.



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