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São Paulo, 11 de Dezembro de 2013 - 14:00

Chuvas irregulares devem dificultar previsão do PLD em 2014

Repetindo-se o comportamento de 2013, preço da energia no mercado spot deve seguir bastante volátil

Por Wagner Freire

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Crédito: Flickr

A boa notícia é que o preço da energia no mercado de curto prazo (spot) deve manter a atual trajetória decrescente das últimas semanas até o final de dezembro, uma vez que as previsões de tempo indicam chuvas acima da média (15% a 20%) nos próximos 15 dias. Porém, segundo meteorologistas consultados pelo Jornal da Energia, acertar o comportamento do Preço de Liquidações de Diferenças (PLD) em 2014 exigirá um grande exercício de futurologia para o setor elétrico, pois a irregularidade de chuva presenciada em 2013 deve se manter no ano da Copa do Mundo.

Os especialistas explicam que a ausência de um grande fenômeno climático para 2014, como El Niño ou La Niña, é o que dificulta a previsão do clima para o próximo ano. "O El Niño seria um cenário favorável para o setor hidrelétrico, mas por enquanto não se tem esse fator definido para o próximo ano. Então, você continua com essa irregularidade (de chuvas), o que é uma condição desfavorável (para o setor elétrico)", esclarece William Bini, especialista da Somar Meteorologia.

Alexandre Nascimento, meteorologista da Clima Tempo, lembra que apesar da irregularidade de chuvas de 2013 se manter em 2014, este ano está mais úmido, diferente do cenário vivido em 2012, quando o governo se viu obrigado a acionar o parque termelétrico para preservar a água nos reservatórios hidrelétricos devido à carência de chuvas, o que fez o PLD disparar.

O PLD é um importante instrumento no momento da negociação de compra e venda de montantes de eletricidade no mercado à vista e livre. Serve como um termômetro do comportamento do preço da energia, além de ser utilizado nas liquidações de curto prazo, realizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Na quinta semana de novembro (de 23 a 29 de novembro) o PLD médio estava em R$360,62/MWh. Já na primeira semana de dezembro (30 de novembro a 6 de dezembro) esse valor caiu para R$309,62/MWh, segundo informações da CCEE. Nesta semana, de 7 a 13 de dezembro, o PLD médio está em R$278,24/Mwh.

Se depender de São Pedro, o preço da energia no mercado spot deve continuar caindo. "Para o curtíssimo prazo, vai chover, com boas perspectivas de preciptações acima da média (entre 15% a 20%) nos reservatórios do Sudeste", afirma Osvaldo Luiz Leal de Morares, coordenador geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

"Vemos muita chuva para os próximos 15 dias em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, e regiões Sul e Oeste de Minas Gerais", informa Aline Tochio, meteorologista da Clima Tempo, que explica que essa chuva é natural, causada pelas altas temperaturas. "Na cabeceira do Rio Grande pode chegar aos 100 milímetros, e no Rio Parnaíba essa marca deve ser ultrapassada", detalha Tochio.

Alexandre Nascimento, da Clima Tempo, informa que a previsão é que em janeiro as chuvas fiquem próximas da normalidade. "Por outro lado, esperamos para fevereiro chuvas abaixo da média no subsistema Sudeste", diz o especialista, que adianta que os estudos indicam que março deve ficar bem próximo da média histórica.

A atenção total deve estar sobre o subsistema Nordeste. "O Nordeste talvez seja o subsistema mais preocupante. Ultimamente tivemos um aumento das chuvas no alto do Rio São Francisco. Porém as irregularidades devem se manter, e em janeiro e fevereiro as chuvas devem ficar continuar abaixo do normal", diz Nascimento.

Como a matriz elétrica brasileira é formada por 63,95% de hidrelétricas, o sistema fica muito sensível ao clima. Como alternativa à falta de chuvas, são acionadas as usinas termelétricas, que são mais caras para o consumidor. O acionamento térmico influencia, por sua vez, no custo marginal da operação do sistema elétrico, pressionando os valores do PLD para cima.

Leilão de energia existente
No dia 17 de dezembro, o governo promove um leilão de energia existe, que objetiva contratar aproximadamente 4 mil MW médios, para atendimento do mercado das distribuidoras em 2014. No entanto, o preço alto do PLD desfavorece a participação de geradores que tenham energia disponível para venda, uma vez que os preços no mercado spot e livre se tornam mais atrativos.

Por outro lado, se o governo não contratar essa energia, as distribuidoras seguirão o ano de 2014 com um déficit de energia, conhecido tecnicamente como exposição involuntária. Essa exposição exige que as concessionárias comprem energia no mercado à vista, impactando diretamente o caixa das empresas e, consequentemente, a capacidade de investimento na rede elétrica ao longo do ano.

Em 2013, as distribuidoras carregaram uma exposição de 2 mil MW médios. No entanto, o problema foi minimizado pelo governo, que antecipou recursos por meio de repasses da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Já foram repassados para as distribuidoras R$1,57 bilhão até setembro de recursos da CDE, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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