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São Paulo, 23 de Dezembro de 2013 - 12:50

Após ano intenso, Alupar mira novas oportunidades para gastar dinheiro do IPO

Diretor financeiro explicou planos de internacionalização e falou sobre a saída da companhia de Sinop

Por Maria Domingues

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Crédito: Alupar

Foi um ano intenso para a Alupar Investimentos. Em 2013, a empresa abriu capital, expandiu sua presença na América do Sul, arrematou pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em leilões, além de disputar e se arrepender minutos depois de levar a UHE Sinop, causando um alvoroço no setor elétrico.

E a expectativa para 2014 é continuar na mesma toada, segundo o diretor financeiro Marcelo Costa. Em entrevista exclusiva ao Jornal da Energia, ele afirma que a companhia já formou parceria estratégica para disputar o linhão de Belo Monte, em fevereiro, e continuará de olho em boas oportunidades de mercado para "gastar" os mais de R$800 milhões captados em sua oferta inicial de ações. Confira os principais trechos:

A Alupar anunciou recentemente sua entrada no mercado peruano. A companhia também detém ativos no Chile e na Colômbia. A estratégia da companhia prioriza a expansão para a América do Sul? Se sim, quais países?
Este investimento faz parte do plano estratégico da companhia de internacionalização. Nós escolhemos três países para ser o nosso foco: Chile, Peru e Colômbia, que são os que apresentam uma maior segurança para investimento estrangeiro. Entre os países da América do Sul, além do Brasil, estes são os que apresentam uma maior segurança político-regulatória.

E no mercado brasileiro, a companhia prospecta novos investimentos em geração e transmissão? Qual é o segmento prioritário?
Ambos os segmentos têm igual importância. Não existe a questão de foco da empresa em um ou em outro. O Plano Decenal de Energia (PDE), desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que apresenta as diretrizes do setor para os próximos dez anos, considera investimentos bem mais significativos em geração do que em transmissão. O montante que será destinado para geração é de três a quatro vezes maior, de acordo com a sinalização da EPE. É natural realizarmos investimentos mais maciços em geração do que em transmissão. Esta não é uma premissa da companhia, mas sim uma tendência de mercado. Foi o que aconteceu basicamente neste ano. Vendemos energia de duas PCHs em dois leilões de energia (uma em cada um dos dois leilões A-5 realizados).

Para novos investimentos, a companhia prefere a aquisição de ativos prontos ou licitados por meio de leilões?
Nós atuamos nos dois segmentos. Historicamente crescemos mais em greenfield, projetos que vieram de leilões. Mas hoje temos equipes olhando oportunidades em ativos operacionais.

Nos leilões de transmissão dos últimos dois anos, a Alupar é presença constante, mas não arremata nenhum lote. O segmento não está atrativo neste momento? Quais os principais gargalos?
A nossa participação acontece em todos os leilões. Estudamos todos os leilões de transmissão. Projetos que ainda precisam ser implantados e têm um risco maior, precisam ter uma rentabilidade adequada. No caso da transmissão, nestes últimos dois anos, não ganhamos nada porque demos lances nos lotes que achavam que tinham a rentabilidade que nós esperávamos, mas outra empresa ou consórcio acabou ofertando um deságio maior ou não demos lance, justamente por conta da rentabilidade.

O maior ativo de geração da companhia é a UHE Ferreira Gomes. Em qual estágio está a obra? O incêndio que ocorreu no início do ano vai atrapalhar o cumprimento do cronograma original?
Felizmente nós conseguimos dar continuidade sem grandes problemas de cronograma. Essa é uma obra que a Alupar está administrando que tem uma expectativa de geração inicial antes do que foi previsto pela Aneel. Nossa expectativa é de uma antecipação de geração de seis meses. Agora falta apenas finalizar uma pequena parte de engenharia e de montagem. Nossa previsão com relação à antecipação é bem confortável. E 2014 será um ano com os preços de energia bem parecidos com esse ano.

O recente IPO (oferta inicial de ações, na tradução em português) da Alupar movimentou mais de R$800 milhões. Como a companhia pretende utilizar os recursos captados?
Basicamente no crescimento das atividades. Desde o IPO já vendemos a energia das duas PCHs, além da aquisição do projeto no Peru (UHE La Vírgen, de 64MW). São três projetos hídricos novos, que somam R$560 milhões de investimento total, e vão demandar uns 30% de recursos da Alupar provenientes do IPO. Nossa ideia é continuar investindo no crescimento da companhia no próximo ano.

Recentemente a companhia chamou a atenção do setor elétrico ao arrematar a UHE Sinop (400MW), em consórcio, e anunciar a desistência do investimento minutos depois. O senhor poderia explicar um pouco mais sobre esse episódio e os motivos que levaram a Alupar a desistir do investimento ainda 'no calor' do leilão?
Ao fechar, de fato, o custo efetivo, fizemos uma análise interna e, na nossa visão, esse empreendimento não teria uma rentabilidade nos padrões exigidos pela Alupar para um investimento desse porte. Depois que isso tudo foi fechado, obtivemos essa visão. Uma vez que decidimos fazer essa saída, existe a maneira correta e vamos cumprir todos os ritos até a assinatura do contrato de concessão, garantindo a tranquilidade do processo regulatório.

A participação da Alupar em Sinop será diluída entre as outras componentes (Chesf e Eletronorte) ou deverá ser assumida por um novo parceiro? O mercado especulou sobre o interesse da EDF. Existe (ou existiu) alguma negociação?
Existem negociações que ocorrem paralelamente a esse processo, mas infelizmente não posso falar dos tipos de negociações porque isso poderia comprometer. Existem várias tratativas de fazer  a nossa saída que estão em andamento.

A Alupar disputará o leilão do linhão de Belo Monte em parceria com a Taesa?
Sim, já temos uma parceria feita com a Taesa. Montamos um grupo de trabalho, dividido em vários segmentos (técnico e financeiro). As equipes já estão trabalhando e ainda temos uns meses até de fato acontecer o leilão.

O senhor espera muita competitividade?
Não sei se terá tanta competição em número de consórcios. É difícil falar sobre o ambiente competitivo. Procuramos fazer bem o estudo, estar bem preparados. O fato de ter muito ou pouca competição não mudaria a nossa visão, dada a disciplina de capital que nós temos.

O senhor poderia comentar sobre a aprovação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o projeto de redução de emissão de carbono?
Estamos muito satisfeitos, não só pela chancela que isso dá, mas também para a visão financeira. Corrobora a visão de sustentabilidade dessa usina. Mas no nosso portfólio outros projetos também obtiveram esse enquadramento. Está em linha com nossa visão de desenvolvimento sustentável e o planejamento sócio ambiental que necessita um projeto como esse.

 



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