São Paulo, 02 de Março de 2010 - 15:07

CPFL Energia prevê investir R$6 bi até 2014

Segmento de distribuição vai demandar 76% dos recursos

Por Milton Leal

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Crédito: Foz do Chapecó Energia

A holding CPFL Energia, que atua no segmento de distribuição, geração e comercialização de energia, precisará investir R$6 bilhões nos próximos cinco anos somente para fazer frente ao atual portfólio de projetos de geração em construção e para manter e expandir a rede de suas oito distribuidoras. O número foi anunciado pelo presidente da companhia, Wilson Ferreira Junior, nesta terça-feira (02/03), durante teleconferência sobre os resultados do grupo em 2009.

Do investimento total previsto até 2014, R$4,6 bilhões serão investidos nas distribuidoras e R$1,4 bilhão nas usinas em construção, como as duas centrais a biomassa Baldin (45MW) e Bioformosa (40MW), os sete parques eólicos vencidos no leilão que somam 188MW, as duas térmicas a óleo localizadas no Nordeste que têm 174MW e a hidrelétrica Foz do Chapecó (436MW, veja foto), que deve entrar em operação no segundo semestre deste ano. Segundo o executivo, um terceiro projeto a biomassa será anunciado nos próximos dias.

Wilson Ferreira contou que a companhia manterá o foco na expansão por meio de fontes alternativas, como pequenas centrais hidrelétricas, eólicas e biomassa porque o mercado de consumidores livres da classe A4 possui vantagens e desconto de 50% na Tusd na contratação deste tipo de fonte renovável.

“Esse mercado está aquecido, crescendo e nós temos uma participação importante. Existem poucas fontes com capacidade para atender a demanda destes clientes”, conta. A estratégia do grupo é comprar a energia destas plantas por meio de sua subsidiária de comercialização e revendê-la. “A CPFL Brasil garante um PPA (Power Purchase Agreement) para este tipo de projeto que o viabiliza”, explica Ferreira Junior.

O leilão de fontes alternativas marcado pelo governo para o segundo trimestre deste ano será uma nova oportunidade para a companhia licitar empreendimentos. O presidente da empresa calcula que a demanda do certame deverá ficar entre 400 e 500MW médios. “Temos uma possibilidade real de termos preços semelhantes aqueles vistos no leilão eólico (o preço médio do pregão ficou na casa dos R$148 por MWh)”.

Sobre o leilão da mega usina de Belo Monte, o presidente da CPFL afirma que a empresa está conversando com o consórcio formado pela Camargo Corrêa e a Odebrecht, mas que ainda não há nada definido. O executivo acredita que é impossível construir esta planta de 11.233MW com R$16 bilhões, que foi o orçamento inicialmente definido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mas que está sendo revisto.

Em uma rápida comparação com os projetos do Madeira, que somam 6,6 mil MW e têm fator de capacidade médio de 65%, Ferreira afirmou que foram necessários pouco mais de R$20 bilhões de investimentos nestes empreendimentos. Para ele, Belo Monte, que tem quase o dobro da potência instalada, um fator de capacidade de 45% e o desafio de engenharia de construir um canal semelhante ao Canal do Panamá, deveria custar no mínimo o mesmo que as hidrelétricas do rio Madeira.

Resultados
O lucro líquido da CPFL no ano passado fechou em R$1,286 bilhão, alta de 0,8% ante o ano anterior. Deste montante, 95% será repassado aos acionistas em forma de dividendos. Apesar da pequena alta, o lucro do quatro trimestre cresceu 25,1%, comparado ao último trimestre de 2008. Para Ferreira Junior, este resultado sinaliza que a crise já é passado e que 2010 será um ano de forte crescimento da empresa.

Em 2009, a receita líquida cresceu 9,1% e atingiu R$10,5 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) totalizou R$2,76 bilhões e caiu 1,5%. O setor de distribuição correspondeu por 66% do resultado da holding, enquanto que a geração representou 25% e a comercialização 9%. Com os novas usinas que estão sendo implantadas pela companhia, a previsão é que o segmento de geração passe a significar 34% do Ebitda, enquanto que a área de distribuição reduza sua participação para 58%. A composição ideal de receitas perseguida pelo grupo, contudo, tem a comercialização com 10%, geração com 30% e distribuição com 60%.

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